Alojamento · 26 ago 2026

Quantas chamadas perde o seu hotel por dia (e quanto lhe custam)

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Quase nenhum hotel sabe quantas chamadas perde. Não por desinteresse, mas porque a central não o reporta e a receção não leva a conta do que nunca chegou a atender. Este artigo é um método para o descobrir numa semana e traduzi-lo em euros.

Porque ninguém tem o dado

Uma chamada perdida não deixa rasto em lado nenhum onde alguém olhe.

O PMS regista reservas, não tentativas. A receção lembra-se das chamadas que atendeu, não das que tocaram enquanto estava de costas. E a maioria das centrais guarda o registo mas ninguém o exporta, porque não faz parte de nenhum relatório semanal.

O resultado é um ponto cego que se comporta como se não existisse: o que não se mede não chega a nenhuma reunião.

O enviesamento de quem conseguiu falar consigo

Há uma segunda razão, mais subtil. Quem não consegue falar consigo não se queixa: vai-se embora. Não deixa avaliação, não manda email, não aparece em nenhum inquérito de satisfação.

Todo o seu sistema de escuta do cliente assenta em quem conseguiu contactar. Os outros são invisíveis por construção.

Como medir isto esta semana

Não é preciso comprar nada. São precisos três dados e sete dias.

1. Peça o registo à sua central

Qualquer central moderna — ou o seu operador, se for uma linha tradicional — pode dar-lhe a lista de chamadas recebidas com hora, duração e se foram atendidas.

O que procura são duas colunas: chamadas recebidas e chamadas não atendidas. Se o seu sistema não distingue, serve a duração: uma chamada com menos de cinco segundos quase nunca é uma chamada atendida.

2. Agrupe por faixa horária

Distribua as não atendidas em blocos de duas horas. É aqui que aparece o padrão, e é quase sempre o mesmo: concentram-se no check-out, no check-in e à hora de almoço.

Não é coincidência. São exatamente os três momentos em que a sua receção tem alguém à frente do balcão.

3. Estime quantas eram uma reserva

Das chamadas que atende, que proporção acaba em reserva? Essa percentagem é a melhor aproximação para as perdidas.

Se a sua receção não o mede, uma semana de contagem manual — um risco no papel por cada chamada que acaba em reserva — chega para ter uma ordem de grandeza.

A conta, com um exemplo

Com esses três dados já pode pôr um número em cima da mesa. A fórmula é deliberadamente simples:

chamadas perdidas por mês × taxa de conversão × valor médio de reserva

Suponha um hotel que perde 6 chamadas por dia, cerca de 180 por mês. Se uma em cada quatro chamadas atendidas acaba em reserva e a reserva média são 180 euros, a conta dá cerca de 8.100 euros por mês.

Dois avisos sobre esse número. O primeiro: é uma estimativa, não uma fatura, porque parte de quem não o localiza volta a tentar ou reserva por outro canal. O segundo, que empurra no sentido contrário: parte dessas reservas acaba por entrar através de uma OTA, portanto o custo real não é só a reserva perdida mas a comissão paga pela que entra.

Faça a conta com os seus dados antes de decidir. É o mesmo exercício que explica porque o telefone é o canal de reservas diretas pior medido do setor.

As quatro faixas onde escapam

Quando se ordenam as chamadas perdidas de um hotel médio, aparecem quase sempre os mesmos quatro buracos.

A hora de ponta ao balcão

Check-out de manhã, check-in à tarde. Há fila e o telefone toca. Ganha a fila, com bom critério, e essa é precisamente a faixa em que mais gente liga.

A hora de almoço

Turno reduzido, por vezes uma só pessoa. Coincide com a faixa em que ligam as empresas e as agências.

A noite

Sem receção noturna, são oito a dez horas de linha morta. Aqui entram as chamadas internacionais de outros fusos e as urgências de hóspedes já alojados.

O pico sazonal

As aberturas de época e os feriados prolongados multiplicam o volume sem que a equipa mude. É o pior momento para perder chamadas, porque é quando se vende mais caro.

O que não resolve o problema

Antes do que funciona, convém descartar o que se tenta primeiro.

O voicemail. Muito pouca gente deixa mensagem para reservar um quarto; o normal é desligar e ligar para outro sítio. O voicemail serve para não parecer indelicado, não para captar procura.

Contratar para o pico. Contratar para cobrir agosto e as horas de ponta significa pagar o ano inteiro uma capacidade usada durante semanas. Sai caro e não cobre a noite.

Pedir que liguem mais tarde. Transfere para o cliente o custo do seu estrangulamento, no momento exato em que ele o está a comparar com outro hotel.

O que funciona

Duas coisas, e não são exclusivas.

A primeira é tirar volume do telefone: fazer com que a informação repetitiva — horários, estacionamento, animais, como chegar — esteja tão clara no site e na ficha do Google que deixe de gerar chamadas. É grátis e reduz a base do problema.

A segunda é atender sempre, e é aí que entra a automação. Um agente de voz atende todas as chamadas em simultâneo, a qualquer hora, resolve as perguntas de sempre e cria a reserva no PMS. As que precisam de uma pessoa passam à receção com o contexto já recolhido.

O critério para escolher é o padrão horário que obteve ao medir: se as chamadas perdidas se concentram em duas faixas concretas, o problema é de capacidade pontual. Se estão espalhadas por todo o dia e pela noite, é estrutural.

Perguntas frequentes

Quantas chamadas perdidas são normais?

Não há um número de referência que sirva a todos: depende do tamanho, do tipo de hotel e de quanta informação o seu site já resolve. Por isso o exercício útil não é comparar-se com uma média do setor, mas conhecer o seu próprio dado e ver como evolui.

E se a maioria das minhas chamadas não forem reservas?

É o mais habitual, e continua a importar: cada questão que ocupa a receção é tempo que não está a atender quem quer reservar. Medir a proporção entre pedido de informação e reserva é tão útil como medir o total.

Posso medir sem mudar de central?

Sim. Quase todas as centrais e operadores fornecem o registo de chamadas recebidas mesmo que não o mostrem num painel. É uma questão de o pedir, normalmente como exportação mensal.

O primeiro passo

Meça uma semana antes de avaliar qualquer solução. O dado muda a conversa: deixa de se discutir se é preciso fazer alguma coisa e passa a discutir-se o quê.

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